Barretos avança na elaboração de Protocolo Municipal da Doença Falciforme

As diretrizes que estão em elaboração foram apresentadas nesta quinta-feira, 18, a profissionais de diferentes setores da Saúde

Um protocolo municipal para cuidado da pessoa com a doença falciforme está em elaboração na Estância Turística de Barretos. Onze profissionais de diferentes setores da Secretaria Municipal de Saúde estiveram reunidos para alinhar diretrizes técnicas para o plano nesta quinta-feira, 18. A meta do grupo é transformar a forma como a doença é acompanhada na rede municipal de saúde, a partir do momento em que for colocado em prática o protocolo. Nesta sexta-feira, 19, é celebrado o Dia Mundial da Conscientização da Doença Falciforme. Em 2008, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu a data para dar visibilidade a essa que é uma das doenças genéticas hereditárias mais comuns do mundo.

A doença falciforme altera o formato dos glóbulos vermelhos, que passam a ter o aspecto de uma “foice”. A coordenadora do Programa de Saúde da População Negra, Clélia Adriana Lopes Vianna, ressalta que isso dificulta a oxigenação e causa o entupimento de vasos sanguíneos, gerando fortes dores e riscos de lesões em órgãos vitais. “Devido a fatores genéticos e históricos, a condição afeta majoritariamente a população negra (pretos e pardos), embora a miscigenação no Brasil faça com que também ocorra em pessoas brancas”, ressalta Clélia.

A doença requer acompanhamento médico ao longo de toda a vida. “Quando não é monitorada corretamente, pode evoluir para complicações graves. É exatamente por isso que a implantação deste protocolo municipal é tão urgente e importante, pois cria uma barreira de proteção no dia a dia para evitar que o paciente chegue a estados críticos”, afirma Clélia. Em vez do paciente descobrir que tem a doença só depois que já está com sintomas acentuados,passa a ser devidamente acompanhado desde pequeno.

Diagnóstico no Postão na primeira semana de vida
Em Barretos, todos os bebês devem ser levados pelos responsáveis entre o 3º e o 5º dia de vida ao Postão (ARE I) – com entrada pela Rua 34, em frente ao Recinto Paulo de Lima Corrêa – para que seja realizado o Teste do Pezinho. Esse teste permite a detecção precoce de várias doenças, entre elas a doença falciforme.

“Além de ser fundamental trazer seu bebê para realizar o exame, é preciso que esses pais e mães depois de 30 dias voltem para retirar, porque é comum as pessoas esquecerem de vir buscar o resultado”, ressalta a servidora Márcia Canto, que há cerca de 30 anos realiza o teste do pezinho nos bebês no município.

A FAMÍLIA DEVE LEVAR O RESULTADO DO TESTE DO PEZINHO PARA A UBS: “É muito importante que os pais e mães levem o resultado do Teste do Pezinho até a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro em que a família mora. Assim como durante toda a gestação devem ser feitas as consultas do pré-natal, a partir do nascimento do bebê a UBS passa a realizar as consultas da puericultura, em que é feito o acompanhamento do desenvolvimento da criança”, ressalta Marina Francisco, coordenadora da Atenção Básica em Barretos.

Notificação Compulsória, rede de suporte e parceria regional
Clélia reforça que recentemente houve significativo avanço para o acompanhamento da doença no Brasil: “Agora a doença falciforme é uma condição de notificação compulsória. Isso significa que todo caso identificado deve ser formalmente registrado, permitindo ao município mapear de forma exata a sua realidade epidemiológica”, afirma.

O intuito com o protocolo municipal é poder identificar o maior número possível de pessoas que tenham a doença em Barretos ou o traço falciforme (quando a pessoa não tem a doença, mas tem a possibilidade de sua filha ou filho vir a ter) e que essas pessoas passem a ser devidamente acompanhadas pela Rede Municipal de Saúde.

“O município funcionará como a grande rede local de suporte clínico e social, atuando em conjunto com o tratamento especializado e de alta complexidade de crianças e adultos, que é realizado no Hemocentro do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto”, reforça Clélia.

O exame eletroforese de hemoglobina, que detecta a doença, além de ser feito atualmente no Teste de Pezinho, pode ser realizado a qualquer momento da vida. Basta fazê-lo uma vez para saber se a pessoa tem a doença ou não. Um dos itens discutidos na reunião é a possibilidade de estabelecer a realização desse exame uma vez na vida em pessoas que não fizeram o Teste do Pezinho quando bebê. “Com essa ação integrada, Barretos assume um avanço no cuidado na saúde do interior paulista, combatendo as desigualdades e salvando vidas através da informação e da gestão eficiente”, conclui Clélia.

Além de Clélia, Márcia e Marina, participaram da reunião desta quinta-feira (18), Rennan Gabriel Botelho, médico na UBS Barretos II; Milena Cristofoletti, médica na UBS CSU; Rodrigo Barros, coordenador da Vigilância Epidemiológica Municipal; Sandra Cristina da Rocha, integrante da Vigilância Epidemiológica Municipal; Túlio Henrique Monteiro, gerente de Serviços em Saúde do setor de Regulação; Luiz Alan Ferrari, coordenador da Assistência Farmacêutica no município; Cláudia Aparecida Lino, farmacêutica da Auditoria Municipal, e Elaine Baroni Costa Souza, enfermeira na Auditoria Municipal.

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