Girrad Sammour escreve sobre o Mês do Ramadan
MÊS DO RAMADAN:
No dia 01/03/2025, se iniciou o mês de Ramadan, um dos pilares da prática no islamismo, qual seja o mês do jejum, prática esta que é dever de todas as religiões passadas, pois assim é descrito no Alcorão:
“Ó fiéis, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito a vossos antepassados, para que temais a Deus. (Alcorão Sagrado 2:183).
Neste mês o alcorão foi revelado, bem como na visão islâmica todos os livros sagrados como evangelho, a tora e salmos. O jejum do mês de Ramadan ocorre no nono mês do calendário lunar, tendo duração de 29 ou 30 dias, mês este em que foi revelado o Alcorão Sagrado. Assim, não há um dia fixo todos os anos para se iniciar, sendo que cada ano que passa se alteram os dias de jejum, possibilitando assim pela Justiça divina que cada muçulmano no mundo jejue em uma estação do ano diferente.
Quem estiver com uma doença passageira, for idoso, ou estiver em viagem, mulher grávida ou amamentando, lhes é permitido quebrar o jejum e jejuar o mesmo número de dias em outra época do ano. Se houver incapacidade física para fazê-lo, como uma doença crônica, devem alimentar uma pessoa necessitada para cada dia não jejuado.
O período diário do jejum começa antes da alvorada despontar e acaba com o pôr do sol, sendo um jejum parcial, deixando o muçulmano de comer e beber qualquer tipo de líquido, de ter relações sexuais durante este período, sendo um método de purificação pessoal, ao privar-se dos confortos mundanos por um período curto, onde o jejuador adquire verdadeira simpatia por aqueles que sofrem de fome, ao mesmo tempo desenvolve sua vida espiritual.
Assim, o muçulmano ou muçulmana que está de jejum sente no corpo o que um necessitado passa todos os dias, incentivando assim a caridade com o próximo, tendo um benefício social na sociedade em que vive.
Logo, podemos ver que o jejum é uma extraordinária escola que nos ensina os mais altos graus de moralidade, cria o amor e a misericórdia nos corações e nos acostuma com a prática da ajuda aos necessitados. O jejuador procura dizer coisas construtivas para os outros e nunca procura causar distúrbios entre as pessoas, procura dizer sempre a verdade e ser leal, não mentir nem difamar os outros, procura cumprir as suas promessas e nunca agir hipocritamente. Portanto, ao jejuarmos um mês todo ano e colocarmos em prática tais ações, veremos que isso é viável e procuraremos agir dessa forma o ano inteiro.
Não basta apenas deixar de comer e beber se a pessoa não faz o jejum principal, que é o da alma, onde deve se abster de usar má linguagem, levantar a sua voz, comportar-se estupidamente, fofocar, fazer intrigas, brigas, agressões, devendo recatar seu olhar de qualquer ato ilícito.
O Profeta Muhammad SWS disse:
“Se uma pessoa não se abstém de mentir e de praticar atividades indecentes, Deus não deseja que se abstenha de comer e de beber.” E disse ainda: “O silêncio do jejuador é glorificação, seu sono é culto, sua prece é atendida, seus atos são recompensados em dobro e seu pecado é perdoado.”
Além de exercitar a fé, o jejum é uma dieta alimentar, elimina os resíduos e o excesso de umidade dos intestinos, reduz o índice de açúcar no sangue, revitaliza a circulação, reduz o colesterol, organiza e regula a pressão arterial, dá descanso ao coração, além de ajudar na cura dos males da pele, uma vez que diminui o índice de água no corpo e no sangue, dentre vários outros benefícios, sendo cura para as doenças.
O Profeta Muhammad SWS disse: Jejuem e se curem das doenças!
Diversos são os benefícios deste mês que é uma escola para todos os muçulmanos, fortalecendo o domínio da razão sobre os impulsos cegos dos sentimentos, aproveitar o tempo, ensinando ao homem a disciplina, a paciência, autocontrole, domínio da arte de se adaptar, sentimento humanitário e de solidariedade.
O jejum assim é um verdadeiro exercício da fé. O ato de ficarmos com fome e com sede não é, em si, adoração, mas um meio para realizarmos a verdadeira adoração, que é a obediência a Deus. A verdadeira adoração significa desistirmos de violar a Lei de Deus, por temor e amor a Ele, buscando realizar atividades que O agradem, e refreando-nos quanto às que não O agradam, caso contrário, estaremos apenas causando uma inconveniência desnecessária ao nosso estômago.
Além de ser uma revisão, um balanço das nossas vidas, onde devemos nos perguntar se estamos agindo de acordo com o que agrada a Deus ou não. Nos perguntar o que estamos fazendo para matar a fome daqueles mais necessitados? E, por fim, procurarmos corrigir os nossos passos e atitudes, a fim de nos aproximarmos ao máximo daquilo que agrada a Deus e beneficia as pessoas e toda a sociedade.
GIRRAD MAHMOUD SAMMOUR, ADVOGADO, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JURISTAS ISLÂMICOS-ANAJI, VICE-PRESIDENTE DA MESQUITA DE BARRETOS.









