Dom Milton divulga mensagem a todos os fiéis da Diocese de Barretos após eleições
No segundo turno das eleições, ocorrido no último domingo, 25 de outubro, as urnas reelegeram o Presidente da República, o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva e Vice-Presidente, o Sr. Geraldo Alckmin.
No regime democrático, o resultado das urnas é sempre soberano, cabendo aos cidadãos acolhê-lo como fruto da vontade popular, expressa pela maioria dos votos válidos.
Lamentavelmente, há algum tempo, vem se acirrando entre nós a polarização em torno de um ou de outro candidato. A polarização divide a sociedade e é nefasta quando alimentada por sentimentos de ódio, gerando rivalidades e discriminação, inclusive no interior das famílias e das comunidades.
É importante considerar que discursos que, mesmo em nome da fé, incitam a divisão ou instrumentalizam a religião em favor de um ou outro candidato, acirrando os ânimos em nome da “doutrina” ou da “verdade”, não correspondem ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao contrário, são uma grave negação dele.
É preciso que o pensamento ético e social da Igreja seja acolhido na sua integridade. Desde a concepção até a morte natural, o Estado tem o dever de preservar e salvaguardar a vida. Tão importante quanto a vida de um nascituro é a vida de uma criança, de um adolescente ou de um jovem que se veem privados das condições básicas para o seu desenvolvimento e crescimento humanos.
Todos os regimes totalitários são uma ameaça ao ser humano, porque o privam da liberdade, sejam eles de inspiração comunista ou fascista, nos quais se idolatra uma pessoa ou um partido e se considera o diferente uma ameaça. Do mesmo modo, fere a dignidade humana o capitalismo selvagem, que trata o ser humano apenas como um elemento de produção.
As palavras de Jesus são claras e inconfundíveis: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Ele pronunciou essas palavras em Jerusalém, em meio à hostilidade dos que o acusavam de blasfêmia (Jo 10,33), e já sabia que corria risco de morte, porque, em nome de Deus, não compactuava com a atitude dos grupos religiosos que promoviam um culto distante da vida, uma conversão apenas aparente, e não de coração, e viviam em função dos próprios interesses.
Em nome do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, exorto todos os fiéis a não se deixarem dividir pelas suas opções políticas e a não se deixarem enganar por discursos ideológicos, dentro ou fora da Igreja, que do Evangelho têm muito pouco.
Peço, ainda, que todos rezem pelos governantes eleitos, como recomenda o Apóstolo (1Tm 2,1-2), para que exerçam o mandato com sabedoria, espírito de serviço e compromisso com o bem comum, governando para todos os brasileiros, sobretudo para os mais pobres, e que cada cidadão, qualquer que tenha sido o seu voto, permaneça atento e participante, acompanhando com respeito e senso crítico as ações de quem governa.
Onde há amor e caridade, Deus aí está. Se eles faltam, não podemos dizer que Deus está entre nós.
Barretos, 28 de outubro de 2026.
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo Diocesano de Barretos
