Barretos e seus 172 anos, por José Geraldo Rezende
Foto – Leandro Campos
O município de Barretos/SP comemora neste dia 25/08 os seus 172 anos de existência e claro todos nos felicitamos por esta data. Mas qual é o sentimento de pertencimento verdadeiro nos atravessa nestes tempos? Depois das “bebemorações” qual reflexões estamos fazendo sobre o destino e futuro dessa tão amada terra? Celebramos com qual cultura, em que Clube Social: no Clubinho do Bom Jesus, no Estrela D’Oriente, no Jockey Club, no “União” dos Empregados do Comércio, com quais artistas locais, com quais artes?
Ao contemplar um dos mais belos sol-poente me vi observando a cidade que parece adormecida em tempo qualquer de uma paisagem bucólica e parece não pulsar com vida, tal como vemos nosso cãozinho dormindo e tentamos despertá-lo com um instante de medo, ufa era só impressão. Lembrei do Periscópio do velho Jorge Andrade que via a decadência de uma época, vejo uma cidade de prédios, antigos e novos, as pessoas se movimentam mas parece que a vida não pulsa, o que falta?
Onde estão os Grupos de Teatro e suas brigas por suas visões criativas; onde foi parar as Bandas de bailes, de Rock, de Samba, de Músicas; os festivais; os Sarais de poesias; as Serenatas e boemias; os festivais de Danças…
O dramaturgo Brasileiro e Barretense, Jorge Andrade, escreveu a peça O Telescópio (1951), que inaugura o “ciclo paulista” ao retratar a decadência da elite cafeeira por meio de um casal de idosos isolado no ambiente urbano. A peça utiliza o instrumento telescópico como metáfora de fuga da realidade e isolamento afetivo, explorando conflitos geracionais através de um realismo psicológico com diálogos marcantes.
A relação entre O Telescópio e a cidade natal de Jorge Andrade é profunda e estrutural. A peça funciona como um espelho biográfico e histórico da transição vivida pelo próprio autor e pela aristocracia cafeeira da região paulista no século XX. Esse enredo espelha a própria trajetória de Jorge Andrade, que deixou o cotidiano das fazendas de Barretos para se chocar com a modernidade acelerada de São Paulo nos anos 1950. O Telescópio de Jorge é um símbolo da distância e é isso que vejo atualmente, estamos na cidade mas parece que a vemos à distância por um telescópio simbólico.
Mas… e hoje ao celebrarmos mais uma aniversário, como pensamos a cidade e seu futuro, para quem será esse futuro e será construído por quem? Qual é o papel de cada um de nós nesse enredo, ou, há um enredo, um roteiro, um plano de desenvolvimento sócio-cultural-econômico? Se não há, o que estamos esperando, creio que a história não acontecerá por osmose, precisa ser pensada, planejada, construída.
Parabéns Barretos e todos os antepassados que o conduziram até aqui e mãos-à-obra a seus cidadãos para continuar a sua história.
Barretos, 25 de agosto de 2026.
José Geraldo Resende – Solteiro; natural de Mariana/MG e radicado em Barretos/SP, bacharel em Direito pelo UniFeb/Barretos/SP, estudou Teatro na faculdade Barão de Mauá/Rib. Preto/SP; Pós graduação em Especialização em Educação e Patrimônio Cultural e Artístico pelo IArt./UnB/UAB.; e, estuda MBA em Gestão e Transformação Digital ECA/USP/SP. – Cadastro no IDCultura nº SNIIC – AG-232608.
Atuações: – participa das direções da Associação para o Desenvolvimento Artístico e Sócio Cultural João Falcão, da Associação de Formação, Comunicação e Educação Popular Conhecer-Cidadania e do FLIGSP – Fórum do Litoral, Interior e Grande São Paulo de Políticas Culturais.
– E-mail: [email protected] – Watsapp: (17) 99155-8288.
