A Bolívia e a America do Sul: ‘eu sou você amanhã’

A Bolívia vive hoje uma crise política e social marcada por políticas de corte ultra liberal – como a retirada de subsídios e austeridade fiscal – que resultaram em protestos massivos, bloqueios de estradas e confrontos com forças policiais. Esse cenário reflete como a adoção de medidas econômicas radicais pode gerar um “estado policial” em resposta à rebelião popular.

Contexto Atual da Bolívia

– Presidente Rodrigo Paz (eleito em 2025) com um discurso progressista para ganhar o voto do povo e ao assumir o governo passou a adotar uma postura ultra liberal anti povo em meio a uma grave crise econômica, com escassez de dólares, inflação alta e queda nas exportações de gás.

– O governo editou o Decreto 5.503, retirando subsídios aos combustíveis. Isso provocou aumento imediato do custo de vida e revolta de transportadores, mineiros e camponeses.

– Desde maio de 2026, há bloqueios de estradas e ataque violentos das forças policiais contra o povo manifestantes.

Políticas Ultra Liberais e Seus Efeitos

– Cortes de gastos e eliminação de subsídios: medidas típicas de políticas ultra liberais, que priorizam equilíbrio fiscal em detrimento da proteção social.

– Restrição de crédito para produtores rurais: enfraqueceu comunidades indígenas e camponesas, aumentando a desigualdade.

– Resposta estatal militarizada: diante da rebelião popular, o governo recorreu ao uso intensivo da polícia e forças armadas, configurando um estado policial.

Correlação com Hobbes e o Brasil

– Hobbes via o Estado como garantidor da paz e da vida. Na Bolívia, o pacto social foi rompido: o Estado passou a proteger mais o mercado e menos os cidadãos.

– Assim como no Brasil, trabalhadores precarizados, indígenas e mulheres pagam um preço maior pela “segurança” estatal, pois são os primeiros a sofrer com cortes de subsídios e repressão policial.

– O “Leviatã boliviano” atual não garante paz universal, mas sim ordem coercitiva para sustentar um modelo econômico liberal em crise.

Reflexos Regionais

– A crise boliviana ecoa em outros países da América do Sul, mostrando os riscos de políticas ultra liberais em sociedades marcadas por desigualdade.

– O Brasil observa com atenção: a instabilidade pode gerar fluxos migratórios, tensões comerciais e inspiração para movimentos sociais.

– A correlação é clara: quando o Estado abdica de seu papel de garantidor da vida e se torna guardião exclusivo do mercado, abre-se espaço para rebelião popular e para o fortalecimento de práticas autoritárias.

Em resumo: a Bolívia hoje exemplifica como políticas ultra liberais que corroem o pacto social hobbesiano, transformando o Estado em instrumento de coerção e não de proteção.

 

José Geraldo Resende, solteiro, natural de Mariana/MG e radicado em Barretos/SP; bacharel em Direito pelo UNIFEB, cursou Artes Cênicas pelo CBM/Ribeirão Preto/SP, pós-graduação de Especialização em Educação e Patrimônio Cultural e Artístico, pela IA/UnB/UAB; Cursa MBA em Gestão e Transformação Digital, pelo ECA/USP, e, atua como consultor eventual em políticas culturais no interior de São Paulo.

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