Olímpia abre disputa para criação de resort integrado a cassino
Cidade do interior paulista com a segunda maior rede hoteleira do Estado convida investidores nacionais e internacionais para desenhar complexo nos moldes de Singapura
A cidade de Olímpia entrou na corrida pelo pioneirismo no mercado brasileiro de resorts integrados a cassinos. A cidade do interior paulista publicou nesta sexta-feira (22) edital que pode atrair até R$ 2 bilhões em investimento privado para um complexo turístico nos moldes de Singapura: hotelaria de alto padrão, centro de convenções, gastronomia, varejo e, se o Congresso aprovar a regulamentação dos jogos, operação de cassino.
O movimento também coloca Olímpia à frente do calendário de Brasília. O PL 2.234/2022, que regulamenta os cassinos no Brasil, foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em junho de 2024, por 14 votos a 12. Desde então, aguarda deliberação em Plenário. A matéria entrou na pauta em dezembro de 2024 e em julho de 2025, sendo retirada nas duas ocasiões — a primeira a pedido do relator, senador Irajá (PSD-TO); a segunda, por decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em meio à falta de quórum. Alcolumbre vem articulando acordo entre lideranças para destravar a votação ainda neste semestre.
O instrumento escolhido para abrir a discussão com o mercado é o Diálogo Competitivo, modalidade prevista na Lei Federal nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações. Voltada a contratos complexos, permite que o poder público ouça o setor privado antes de fixar o desenho jurídico, técnico e financeiro do empreendimento. A regulamentação local saiu em fevereiro deste ano, pelo Decreto Municipal nº 9.890/2026, que estabeleceu as fases de pré-seleção, diálogo e proposta competitiva. O Edital de Pré-Seleção nº 01/2026, publicado hoje no Diário Oficial do Município, abre a primeira etapa.
A base legal para o projeto foi sancionada há um ano. A Lei Municipal nº 5.098/2025, de 14 de maio de 2025, autoriza a concessão à iniciativa privada de serviços turísticos vinculados a jogos regulamentados, com eficácia condicionada à legislação federal. Nada acontece em Olímpia se o Congresso não decidir antes.
“Olímpia é hoje um dos principais destinos turísticos do país. Estamos preparando a cidade para o próximo ciclo, com foco em investimentos internacionais, grandes eventos, tecnologia e geração de empregos qualificados. Se o Congresso aprovar a regulamentação, queremos chegar à disputa preparados, com base legal e planejamento sólido. Quem espera a lei sair para se organizar vai chegar tarde”, afirma o prefeito Geninho Zuliani.
O procedimento será conduzido por Comissão de Contratação multidisciplinar, instituída pela Portaria nº 57.746/2026, com representantes das secretarias de Governo e Relações Institucionais; Planejamento e Finanças; Turismo; Gestão e Cidade Inteligente; e Inovação, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável.
Olímpia recebe hoje cerca de 5 milhões de visitantes por ano e abriga a segunda maior rede hoteleira de São Paulo, com 34 mil leitos, atrás apenas da capital. Tem dois dos parques aquáticos mais visitados do mundo, o Thermas dos Laranjais e o Hot Beach, e o turismo responde por 65% da economia local. Em paralelo, o Aeroporto Internacional avança em Brasília, com capacidade projetada para 1 milhão de passageiros por ano e operação prevista para 2027.
A referência para o projeto não é Las Vegas, mas Singapura: a Prefeitura quer reproduzir o modelo de resort integrado do sudeste asiático, em que sofisticação, regulação rigorosa, hotelaria premium e centro de convenções convivem com entretenimento regulamentado. O cálculo é converter o interior paulista em plataforma internacional de turismo, convenções e eventos — antes mesmo de o Brasil decidir.









