O Bambu que sobrevive ao vento

 

O bambu não ganhou a floresta por ser o mais duro.

O carvalho é mais forte. A pedra é mais rígida.

Mas quando o vento chega com pressa de derrubar tudo,

é o bambu que fica de pé.

 

Ele não quebra porque não briga com o vento.

Ele se curva. Dobra o corpo até o chão, quase beijando a terra.

E no instante em que a força passa, ele volta.

Inteiro.

 

A diferença está na raiz.

Ele aprendeu cedo: ceder não é se entregar.

Flexível no tronco, firme no chão.

Se curvasse sem raiz, seria só mato levado.

Se fosse raiz sem curva, seria só toco quebrado.

 

A vida pede isso da gente todo dia.

Vento vem em forma de crise, de opinião, de perda, de prazo.

Tem gente que endurece e estala.

Tem gente que se solta e some.

 

Sobrevive quem entende o jogo:

*Baixa a cabeça na hora certa, sem soltar de onde veio.*

Respira, curva, escuta o vento passar.

Depois ergue de novo. Mais experiente, mais inteiro.

 

O bambu sobrevive porque não confundiu força com rigidez.

Porque sabe que raiz é princípio, e curva é estratégia.

E entre os dois, ele encontrou o único jeito de continuar crescendo:

De pé, mesmo depois da tempestade.

 

Autor: Wolinsk Maruco

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