Alunos de Medicina da FACISB promovem ação sobre espiritualidade e saúde na UBS Dr. Luiz Spina
A relação entre ciência, espiritualidade e religiosidade — tema ainda pouco explorado nas consultas médicas — foi o foco de uma ação realizada por alunos do curso de Medicina da Faculdade de Ciências da Saúde Dr. Paulo Prata (FACISB), na Unidade Básica de Saúde Dr. Luiz Spina. A atividade faz parte do Projeto de Espiritualidade e Religiosidade na Prática Médica, desenvolvido pela instituição.
O objetivo é aproximar estudantes e comunidade, promovendo diálogos sobre como fé, crenças e fatores emocionais podem interferir nas decisões de saúde e no processo de recuperação dos pacientes.
O médico Dr. Hudson Menezes Taveira, preceptor da FACISB, destacou a relevância da iniciativa: “Eles fazem parte do projeto de espiritualidade e religiosidade, e aplicam esse conteúdo com a população da comunidade. Isso é muito importante porque, geralmente, o médico não fala sobre esse assunto. A faculdade está preparando profissionais com habilidades diferentes, capazes de lidar com esse tema.”
O médico também ressaltou que a espiritualidade do paciente tem impacto direto no tratamento: “Como a parte emocional e a parte espiritual estão estruturadas, isso interfere na recuperação. Quanto mais o aluno se prepara com essa visão, melhor será sua abordagem, sempre respeitando a religião de cada paciente.”
O conteúdo apresentado pelos estudantes incluía informações baseadas no material exposto durante a ação: a medicina baseada em evidências não exclui a fé; ciência e espiritualidade podem caminhar juntas; enquanto a ciência trata doenças, a espiritualidade ajuda a lidar com o sofrimento e fortalecer o emocional.
A aluna Suelen Cristine Caetano, do 4º período, explicou como essa abordagem se integra ao cuidado: “Muita gente acha que ciência exclui fé, e não é isso. A fé fortalece espiritualmente na doença. Às vezes, não é sobre cura, mas sobre encontrar força. Mas ela também pode influenciar negativamente, quando a pessoa acredita que a doença é um castigo, por exemplo.”
Ela destaca que conhecer a religião do paciente é fundamental para condutas médicas adequadas: “Dependendo da religião, há práticas que o paciente não aceita. As Testemunhas de Jeová geralmente não aceitam transfusão de sangue; judeus e muçulmanos podem recusar válvulas cardíacas de origem suína. A abordagem médica precisa levar isso em consideração.”
Para Suelen, a experiência ampliou sua compreensão do tema: “Eu sou espiritualizada, mas não tão religiosa. Aprendi muito com essa ação e percebi que muitas pessoas confundem espiritualidade com religiosidade. Foi enriquecedor para nós e para a comunidade.”
Entre os participantes da UBS estava Mauro, morador atendido na unidade. Ele avaliou a atividade como essencial para aproximar a população de temas ainda pouco discutidos: “Achei muito importante a abordagem deles sobre saúde emocional. Muitas pessoas precisam de orientação. Eles são futuros médicos já preparados para isso.”
Para ele, a união entre fé e medicina fortalece o cuidado: “A fé e a medicina têm que andar juntas. Eles mostraram isso muito bem. Explicaram como lidar com situações difíceis e como a espiritualidade ajuda no dia a dia.”
A ação reforçou que abordar espiritualidade e religiosidade não significa interferir na crença do paciente, mas compreender como ela influencia sua tomada de decisão, sua adesão ao tratamento e seu bem-estar emocional.
A iniciativa dos alunos da FACISB demonstra um movimento crescente dentro da medicina: formar profissionais mais sensíveis, humanizados e preparados para olhar o paciente como um todo — corpo, mente e espírito.









