Os Interiores e os Desafios das Políticas Culturais: As Visões e as Práticas no Interior do País – O Caso de Barretos
Neste estudo apresento um histórico sócio-econômico sobre a cidade de Barretos até a atualidade e em seguida faço um recorte sobre os aspectos culturais do Município, com um breve levantamento dos movimentos artísticos e das instituições culturais.
É importante notar que nossa história cultural possui uma relevância temporal quando do apogeu econômico, mas não consegue até hoje, se restaurar com mais vigor, devido à falta de compreensão política desse processo, pois apesar dos esforços de alguns ativistas, o governo local ainda não implementou um Política Cultural de estado no Município.
1 – PERSPECTIVAS HISTÓRICAS CULTURAIS DE BARRETOS/SP
1.1 – Apresentação Geográfica e História.
(inforgráficos obtidos na secretaria estadual de planejamento de São Paulo)
Barretos é um município localizado entre o noroeste e norte do Estado de São Paulo na divisa com Minas Gerais, com uma população estimada de 130.000 habitantes de maioria feminina com méia de 3.800 mulheres a mais, possuindo um dos maiores território de área agricultável composto por 1.563,6 km² é o 7º maior município por superfície do estado de São Paulo. É o município sede de região imediata e Administrativa Estadual que engloba 16 municípios em seu entorno. Foi um centro de comercio e produtor de gado bovino, mais tarde de Laranja e cana-de-açúcar, incluindo várias usinas de processamento de álcool e suco de laranja.
1.2 – Breve História econômica
Em 1870, a região foi atingida por um acidente natural que viria a alterar o perfil de sua ocupação econômica. O inverno rigoroso daquele ano deixara ressequida a vegetação, resultando em um incêndio de grandes proporções que queimou vasta área de florestas. Com a chegada da primavera e das chuvas, surgiram imensas pastagens naturais, estabelecendo excepcionais condições para a engorda de gado. Fazendas foram abertas e grande contingente foi atraído pelas possibilidades de ganhos que a atividade pecuária passou a propiciar na região.
Intensificada pela ferrovia que chegou no início do século XX, a imigração também foi marcante na região. Sobretudo pelas colônias italiana, lituana, japonesa e árabe atraídas inicialmente pelas lavouras de café, e posteriormente pela pecuária, pela agricultura diversificada e pelo forte comércio regional. Sua população foi formada por 70% de moradores de origem mineira e 30% de imigrantes e paulistas.
A economia de Barretos teve inicialmente foco na agroindústria voltada aos mercados interno e externo, sua posição como importante entreposto de gado magro e gordo, foi ampliada graças à localização geográfica, ao importante parque industrial de comercialização de carnes e derivados. Os rebanhos bovinos das raças Gyr e Nelore ocupavam as posições de maior destaque e novos empreendimentos no setor se faziam notar, destacando-se a fundação, em 17/10/1927, da Charqueada Bandeirante.
As exposições de gado realizadas em Barretos, no Recinto Paulo de Lima Correa, sempre mereceram o interesse da parte dos prefeitos, governadores, deputados estaduais e federais, senadores e presidentes da República, demonstrando a importância da cidade para a região e para todo o país ao gerar divisas, lançar modismos como o início dos grandes eventos musicais que mudou a história da música sertaneja e marcar Barretos como a “Capital nacional do gado”.
A celebração do “peão de boiadeiro” como herói anônimo do sertão, responsável pelo surgimento de cidades ao longo dos corredores, começou em Barretos e em 1947, o então Prefeito realizou uma festa de peões por ocasião do aniversário da cidade, com montarias em burro xucro durante o dia no Recinto de Exposições e danças de Catira durante a noite na praça da cidade. Em 1955 surge o Clube “Os Independentes” que realizaram a primeira Festa do Peão de Boiadeiro e em 1990. Depois da entrega do gado, estes peões iam se divertir nas casas de prostituição e na antiga boate ‘Bico do Pavão’. A epopéia desses peões serviram mais tarde de leitmotiv para a festa do Peão de Boiadeiro, assim também como inspiração para muitas modas de viola e canções sertanejas, conhecidas no Brasil inteiro.
2 – PERSPECTIVAS HISTÓRICAS CULTURAIS DE BARRETOS
2.1 – História da cultura teatral em Barretos
A arte teatral sempre foi muito reconhecida em Barretos desde o começo do século XX, tendo um teatro de “grande” porte inaugurado em 1912, o teatro Aurora, logo ocupado durante muitos dias pela companhia de operetas Camerata, de cujo corpo de artistas ficam entre os barretenses Césare Gravina, depois famoso cômico em Hollywood, e sua esposa d. Ema.[1] Cesare Gravina (23/01/1858 – 16/09/1954-) foi um ator italiano da era do cinema mudo que apareceu em mais de 70 filmes de 1911 a 1929. Nascido em Nápoles, Gravina foi maestro de orquestra em sua Itália natal. Como maestro do Scala, trabalhou com artistas como Mary Garden e Enrico Caruso. Em algum momento, abandonou a música para se tornar ator de peças, sem explicar a ninguém os motivos da mudança de carreira. Como proprietário de muitos teatros na América do Sul, Gravina obteve segurança financeira para se aposentar do cinema em 1924, mas preferiu continuar atuando.
– Refs: – Um Retratista Bem-Sucedido de Fracassos. Revista Picture Play. Agosto de 1924. p. 65. Recuperado em 10 de outubro de 2019 .
Hoje, Barretos conta com alguns grupos de atores fazendo trabalhos em escolas, mas sem apoio de uma política municipal e acesso a programas de incentivo estadual, que continuam sendo feito na base do compadrio políticos, a cidade perde promissores talentos e a oportunidade de construir um Plano de Cultura e Turismo, ampliando suas potencialidades.
2.2 – A UEC – União dos Empregados no Comércio e seu Corpo Cênico
O Clube social “União dos Empregados no Comércio de Barretos” surgiu em 1914 como uma associação dos comerciários, tendo sua primeira sede no centro da cidade. Além de fornecer departamentos na área da recreação, do esporte e da cultura, a UEC ficou muito reconhecida na época principalmente pela atuação de seu Corpo Cênico.
Essa Associação teve como um de seus co-fundadores o ativista político do antigo PCB e ator amador o Sr. João Falcão, que mais tarde vai fundar a FETAVARIG – Federação de Teatro Amador do Vale do Rio Grande e depois o GTAAB – Grupo Teatral de a Arte de Barretos.
2.3 – O Clube Estrela D’Oriente e o Teatro Negro
Um movimento negro do início do século XX cria o bloco de carnaval “Carvão Nacional”, fundado por Américo de Souza Espíndola no início da década de 1930[2], fazia a diversão nas ruas, mas não eram recebidos nos salões mais badalados. Essa discriminação levou alguns membros do grupo a criarem o seu próprio espaço e assim foi fundado o Clube “Estrela D’oriente” em 1º de janeiro de 1936, em reação ao preconceito que vitimava os negros da cidade de Barretos. Idealizado pelo Sr. Lázaro Silva, fundador da “Sociedade Beneficente e Recreativa Estrela D’oriente”, cujos objetivos vão além de oferecer um espaço de lazer e cultura, mas prestar apoio social e material aos seus associados. Mais tarde, se torna a grande atração do carnaval como escola de samba.
2.4 – Grupo Teatral Negro de Barretos – GTNB
No final da década de 60 destacou-se o Grupo Teatral Negro de Barretos (GTNB), fundado pelo escritor barretense José Expedito Marques e dois amigos membros do “Estrela D’oriente”: José Pereira Neves (Zé Preto) e Leobino Neves. A fundação do grupo visava preparar negros(as) para atuarem em peças de teatro. O espetáculo “Esqueleto zero hora” foi a primeira peça encenada pelo GTNB, de autoria de José Expedito Marques e apresentada nos fundos do “Sindicato Rural do Vale do Rio Grande”, na Praça Francisco Barreto.
2.5 – Teatro Experimental de Barretos – (TEB)
Em 1967, o “Grupo Teatral Negro de Barretos” (GTNB) fundiu-se com o “Teatro Experimental de Barretos” (TEB) para produzir e dirigir a peça “Quarto de empregada”, de autoria de Roberto Freire, com atores dos dois grupos. O espetáculo foi encenado na Faculdade de Tecnologia de Barretos (atual UNIFEB) e contou com a presença de destacados atores do cenário teatral nacional: Cacilda Becker e Walmor Chagas. Em 1970, o mesmo espetáculo faturou o prêmio de Melhor Espetáculo no 1º. Festival de Teatro Amador do Vale do Rio Grande.
2.6 – Grupo de Teatro do Industrial – GTI
Criado em 1948, a Escola Artesanal de Barretos, que em 1957, passou a ser chamada Escola Artesanal “Raphael Brandão”, a partir de 01 de janeiro de 1995, a E.E.P.S.G. “Cel. Raphael Brandão”. Atualmente como Centro Paula Souza a partir de 2009. A escola por ser um centro de formação de técnicos, foi apelidada de “O Industrial” e assim foi formado por seus alunos, o GTI – Grupo de Teatro do Industrial, que montou entre outros, o espetáculo Navio Negreiro.
2.7 – Grupo de Teatro Unicórnio
Formado por estudantes do UniFeb este grupo agregou atores amadores da cidade sub a coordenação de Gumercindo o Guma, que montou vários espetáculos para estudantes da região.
2.8 – Grupo Teatral “Atair da Silva Bonfim”, do Ginásio Vocacional – GTASB.
No Estado de São Paulo em 1961 foi criado o Serviço de Ensino Vocacional – SEV, que criou os Ginásios Vocacionais com autonomia administrativa muito grande na gestão das novas escolas. Nos quatro anos de permanência no Vocacional, o foco dos estudos era dividido, sendo no primeiro, o município; no segundo o estado de São Paulo; no terceiro o Brasil; e no quarto o mundo. Em Barretos o Ginásio Vocacional Estadual “Embaixador Macedo Soares”, foi criado em 1963. Atividades culturais e, em especial, as instituições didático-pedagógicas, reproduziam vivências próprias do mundo do trabalho nas escolas. A escola tinha forte interação com a comunidade visando também melhorar o nível cultural da população local, tornando-se assim um pólo irradiador de cultura.
O dramaturgo barretense Aluízio Jorge Andrade, um dos principais teatrólogo brasileiro, também ministrou aulas de teatro para os alunos do Vocacional em Barretos, onde professor e estudantes exibiam peças de teatro nos finais de semana para a comunidade local. A cultura, as festas, a interação com os eventos significativos da comunidade, tinham uma dimensão importante nestas escolas comunitárias. Neste contexto é criado o GTASB – Grupo Teatral Altair Silva Bonfim.
O processo de repressão às liberdades democráticas da ditadura destruiu o Ensino Vocacional com a prisão de orientadores, professores e alunos, com a invasão em ação conjugada para todos os Ginásios Vocacionais no dia 12 de dezembro de 1969.
2.9 – Grupo Teatral de Amor à Arte de Barretos – GTAAB
Formado após a extinção do Ginásio Vocacional de Barretos e consequentemente do GTASB, o grupo GTAAB foi resultado ainda do desdobramento da Federação de Teatro Amador do Vale do Rio Grande – FETAVARIG, e teve entre seus fundadores o ativista cultural e político, os Srs. João Falcão, José Antonio Merenda, Ricardo Tadeu Marques e Eunice Espíndola, entre outros.
3.10 – Cia de Artes Cênicas Rio Circular
A Cia Rio Circular existiu desde 1990 e tinha outro nome: Teatro do Terceiro Mundo. Seu primeiro espetáculo “O Outro Lado da Moeda”, foi realizado no mesmo ano. Em 1991 e 1992 desenvolveu trabalhos de jogos dramáticos em escolas e estudos teóricos sobre teatro. Em 1.992 desenvolveu trabalho experimental pesquisa de linguagem cênica em torno do livro “Primeiras Estórias” de João Guimarães Rosa. Em 1993 estreou o espetáculo infantil “A Viagem ao Mundo Azul”.
Em 1994 a Cia. Rio Circular desenvolveu com estudantes de Barretos o exercício teatral “Macunaíma Contra o FMI”. Em 1995 estreou a primeira montagem do espetáculo “O Mito do Caminho de Atman”, em Barretos. Em 1996 a Cia. montou o espetáculo infantil “Cadê o Sonho que Estava Aqui” de Luiz Roberto Gomes para o SESC – Serviço Social do Comércio. Neste mesmo ano co-participou da organização e coordenou os trabalhos de formação do projeto “Zumbi Lá dos Palmares” em parceria com a ONG Instituto Cultural João Falcão.
A partir de 97, o grupo começou a articular a instalação do Núcleo de Artes Cênicas, o que ocorreu em 1999. De 96 a 2000 o grupo fez trabalhos de arte-animação no “Rancho do Peãozinho” na Festa do Peão de Barretos. Realizou em 2001 para o SESC/Ribeirão Preto/SP, o projeto Leituras Dramáticas sobre o livro “Primeiras Histórias” de Guimarães Rosa, e em 2002, participou da mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba/PR, com os espetáculos “O Mito do Caminho de Átman” para adultos e “A Viagem ao Mundo Azul” para crianças.
Adaptou, produziu e dirigiu leitura dramática do livro Primeiras Estórias de Guimarães Rosa, “A Terceira Margem”, adaptou e dirigiu o monólogo “O Navio Negreiro” com o ator Euri Silva; Em 2007 dirigiu a encenação aberta “Paixão de Cristo”, na cidade de Barretos/SP; e, desenvolveu ainda séries de episódios para TV.
3 – ENTIDADES CULTURAIS
3.1 – Instituto Cultural João Falcão
A Associação Cultural e Sócio-educacional João Falcão, conhecida popularmente como Instituto João Falcão, constitui-se da união de artistas, ativistas, produtores culturais e amantes das artes e da cultura da cidade de Barretos/SP, que se reúnem com o objetivo de promover o desenvolvimento cultural dessa região imediata. Seu nome é uma homenagem ao ator e militante político João Falcão, que foi um dos fundadores do corpo de teatro do Clube União dos Empregados no Comércio; da Federação de Teatro Amador do Vale do Rio Grande; e do GTAAB – Grupo Teatral de Amor à Arte de Barretos.
3.2 – INSTITUTO CONHECER-CIDADANIA
A Associação de Formação, Comunicação e Educação Popular, denominada INSTITUTO CONHECER-CIDADANIA, é formada pela associação de pessoas físicas, como Entidade de direito Privado sem fins lucrativos, com sede no Município de Barretos/SP. Tem por finalidades, desenvolver e promover educação popular; comunicação social; desenvolvimento cultural; promoção e defesa dos direitos humanos; e formação sócio-política.
Esta OSC – Organização da Sociedade Civil, tem como missão, organizar e promover eventos e ações culturais para o empoderamento dos(as) cidadãos(ãs); na potencialização do conhecimento sócio-político por meio ativos simbólicos, sensíveis e artísticos, constituído de valores culturais para o desenvolvimento da comunidade humana por meio de processos sócio-comunicacionais permanentes.
3.3 – Academia Barretense de Cultura
A Academia Barretense de Cultura, fundada em 2013, é uma entidade cultural privada, sem fim lucrativo, com sede em Barretos/SP, e com objetivo de agrupar cidadãos dedicados à literatura, às artes e ciência. Atuando no incentivo à cultura literária de Barretos, os acadêmicos da ABC contribuem com vários temas das expressões artísticas local, tais como: A procissão de Santos Reis, saraus de poesias, palestras sobre personagens históricos da cidade, eventos temáticos de cultura étnicas, exposições de artes, cine debates, Semanas de estudos históricos, Exposição de Livros, e, realiza um concurso de literatura, o “prêmio Jorge Andrade”, premiando textos de contos, aberto a todo público.
3.4 – Academia de Letras e Artes de Barretos
A Academia de Letras e Artes de Barretos, entidade sem fins lucrativos, reúne pessoas com ações voltadas para as artes, letras e preservação patrimonial da cidade, atuando na formação escolar por meio de ações educativas transversais visando ao conhecimento da história do município e a preservação patrimonial.
A ALAB promove ainda, entretenimento aos seus associados e convidados, além de organizar acervos históricos referentes à cultura local.
4 – ESPAÇOS DE REFERÊNCIA HISTÓRICAS EM BARRETOS
4.1 – Recinto Paulo de Lima Correia
Situado a Praça Nove de Julho, é uma obra arquitetônica de beleza singular e considerada uma raridade no gênero, dado seu estilo ímpar foi construído para exposições de animas em 1945 e é um patrimônio muito importante para a cidade. O recinto foi escolhido como primeiro local a abrigar a tradicional Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, pelo Clube Os Independentes para ser o palco da Festa do Peão desde 1956 até 1984, sendo então o berço do Rodeio Brasileiro.
Antigo recinto da Festa de Peão de Barretos, Paulo de Lima Correa, abandonado desde 2002, foi reconhecido e tombado como patrimônio pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), órgão de preservação do Estado. O Recinto até então de posse do Estado, passou no fim de 2009 para a gestão do município, que montou uma comissão, da qual fiz parte, para avaliar e definir como a área pode ser utilizada.
O Recinto Paulo de Lima Correa foi construído para exposições de animais em 1945 e é um patrimônio importante para a cidade e um loca para se desenvolver a cultura e turismo, podendo ser espaço de resgate memória de reverência à cultura caipira, ao trabalhador do campo e sua arte e folclore.
4.2 – Museu Municipal, Artístico e Cultural “Ruy Menezes”
Situado na praça central, foi criado pelo município em abril de 1974 e recebeu como doação todo o acervo do Museu Ana Rosa, que funcionava em uma das salas do Colégio Mário Vieira Marcondes. A construção com data de 1907, foi sede da Prefeitura e sede do Poder Legislativo (Paço Municipal). É conhecido como o “Palácio das Águias”.
Em 1979 passou a funcionar como Museu Histórico, Artístico e Folclórico. Por volta de 1993, passou a se chamar “Museu Histórico, Artístico e Folclórico “Ruy Menezes”. Recebeu esse nome em homenagem ao escritor Ruy Menezes, falecido em 1992. Como jornalista e escritor, deixou importantes registros sobre nossa história, uma vez que suas obras “O Espiral – História do Desenvolvimento Cultural de Barretos” (1985) e “Álbum Comemorativo do Centenário de Barretos” (1954), escrito em parceria com José Tedesco, são frequentemente consultados por todos aqueles que se interessam em conhecer a história dessa cidade.
4.3 – Estação Cultural Placidino Alves Gonçalves
Foto: http://www.barretos.sp.gov.br/secre-turismo
A antiga estação ferroviária, construída no início do século XIX, foi desativada devido a retirada dos trilhos de dentro da cidade e depois foi reformada, agora é espaço de apresentações culturais sediando eventos populares durante o ano, foi preservado um pedaço dos trilhos preservando a história da linha de ferro que trouxe desenvolvimento em tempos atrás, anexo a estação, no antigo leito ferroviário, está construdo o “Passeio da tradição”, que conta a história da cidade.
4.4 – Museu Histórico e Folclórico do Peão de Boiadeiro
Localizado dentro do Parque do Peão, o Memorial conta a história da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos e de seu fundador, o Clube Os Independentes, tem o formato que lembra uma lona de circo, homenageando a lona sob a qual aconteceu a primeira Festa do Peão, em 1956.
5 – ESPAÇOS DE EXPRESSÕES ARTÍTICAS
5.1 Catedral Divino Espírito Santo – Sito: Praça Francisco Barreto, 107.
Construída em estilo greco-romano e decoração neoclássica. Seu interior é rico em cultura artística sacra, com detalhes que valem a pena apreciar. Podem ser agendadas visitas monitoradas ao “Museu Sacro” com acervo histórico, imagens e objetos que preservam a memória da própria igreja e do município.
5.2 – Parque do Peão de Boiadeiro de Barretos
Sito à Rodovia Brigadeiro Faria Lima, km 428 e inaugurado em 1985, o Parque do Peão de Barretos é uma área de aproximadamente cinquenta alqueires destinados a realização da Festa do Peão de Barretos, na segunda quinzena de Agosto. O parque conta com uma área para Feira Comercial, estacionamento para 10 mil veículos, Berrantão, Rancho do Peãozinho, Área de Camping, Rancho da Queima do Alho, Fazendinha, Hípica e o Estádio polivalente de Rodeio, projetado por Oscar Niemeyer, com capacidade para trinta e cinco mil pessoas sentadas.
5.3 – Teatro Cine Barretos “Osório Falleiros da Rocha”
(Este é um bem tombado por decreto municipal)
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Inaugurado em 17 de dezembro de 1946, de características imponentes com uma original arquitetura art-decor, foi erguido em área central da cidade de Barretos, proporcionando lazer cultural, conforto e aconchego as famílias barretenses e da região. Porém, com o advento da televisão, o cinema começou a sofrer com a queda de público, provocando o encerramento de suas atividades em 1991. Foi reaberto em 2011, após restauração, passando a oferecer uma diversificada agenda de musicais e peças de teatro.
6 – EXPRESSÕES DE ARTE E CULTURA DE BARRETOS
6.1 – Catira (Dança)
A catira faz parte da Cultura Sertaneja, tendo origem na simulação das danças indígenas. A primeira apresentação da dança em Barretos foi na década de 50, na praça Francisco Barreto, grupos de Uberaba, Frutal, Iturama/MG e Tanabi/SP, fizeram sua performance encantando a população. Tipicamente brasileira, a catira tem suas raízes em Goiás, norte de Minas e Interior de São Paulo. A coreografia é executada em sua maioria por homens, (mas a mulheres ocupam cada vez mais protagonismo) e é formada por seis a dez componentes e uma dupla de violeiros, que tocam e cantam a moda ou ponteios. Os participantes executam os figurados, em que realçam o bate-pé e o palmeado. A Meia Lua é um dos figurados mais conhecidos, os participantes ficam em fila indiana e vão dançando até formar uma circunferência. Depois fazem o recorte, onde a cada estrofe da música os pares mudam de lugar longitudinalmente. O Cateretê ou Catira é uma dança popular brasileira, com influências indígenas, africanas e europeias, dançada em fileiras onde o bate-pé e palmas acompanham os violeiros. A Catira é até hoje uma dança tipicamente brasileira e faz parte de nosso rico folclore.
6.2 – Violeira Rose Abrão (música)
Um dos mais antigos e importantes festivais de música raiz do país onde participam compositores amadores e profissionais, com músicas com letra e melodia inéditas no estilo raiz. O festival integra a programação da Festa do Peão de Barretos. As músicas retratam o estilo de vida e costumes dos peões estradeiros, além das festas da cultura sertaneja e paisagem interiorana. Realizada inicialmente nos bairros de Barretos, a “Violeira” reunia violeiros de todos os cantos. Em 1993, a “Violeira” passou a levar o nome de “Rose Abrão”, em homenagem ao comerciante Gaze Abrão, proprietário do Sobrado da Alegria[3] – local onde reunia diversos violeiros e grandes nomes da música caipira -, e palco do festival caipira por alguns anos.
O músico e violeiro, Tião Carreiro foi quem apelidou o amigo Gaze Abrão, de “Tio Rose”.
SOBRADO DA ALEGRIA
Aos 57 anos, o comerciante morreu em Barretos. O famoso “Sobrado da Alegria”, quartel general dos violeiros, segundo o compositor João Pacífico, foi demolido pelo atual dono e sobrinho de “Rose Abrão”.
Para homenagear a história de ‘Tio Rose’ com a música e tradição caipira, o festival carrega seu nome. Música: Sobrado da Alegria – Composição e interpretação: Ronaldo Viola e João Carvalho = https://www.youtube.com/watch?v=DVfjd5VmGj4
O “Sobrado da Alegria” foi palco de muitas amizades, encontros musicais, letras e músicas que fluíam a todo instante como as notas em uma partitura. Era inevitável ponto de pouso dos admiradores da boa música raiz. Chamado de “padrinho dos violeiros”, apelido dado por Tião Carreiro, “tio Rose” faleceu no dia 29 de janeiro de 1993. Por lá passaram os maiores nomes da música raiz nacional; Tião Carreiro e Pardinho, Almir Sater, Antonio Borba, Pena Branca e Xavantinho, Suzamar, Ronaldo Viola e João Carvalho, César e Paulinho, Mocóca e Paraíso, Carreirinho, Amarai, Dino Franco e Morai, Sula Mazurega, Dalvan, Adalto Santos, João Pacífico e tantos outros.
6.3 Queima do Alho (Arte Culinária) “Bem Tombado”
O nome Queima do Alho é dado a tradição da culinária típica das comitivas de peões de boiadeiro e virou uma das principais atrações da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos. O cardápio é composto de arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne e churrasco.
A comida é feita em fogão improvisado, bem próximo ao chão. Há um concurso culinário, realizado no espaço especialmente feito para isso, chamado Ponto de Pouso, em que o vencedor é o cozinheiro que prepara a melhor refeição à moda dos tropeiros, no menor espaço de tempo. A importância da Queima do Alho na manutenção da cultura caipira foi reconhecida também por lei. O prato é considerado hoje Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
6.4 – Concurso do Berrante
A história do peão de boiadeiro é cheia de tradições e significados e o instrumento berrante faz parte desta história e foi um importante elemento no desbravamento de terras desconhecidas pelos tropeiros.
O concurso envolvendo o símbolo do sertanejo faz parte desde a primeira edição da maior festa de peão da América Latina. Com este concurso, o evento elege e homenageia os melhores berranteiros do país, além de manter viva a tradição do toque do berrante. O Berrante é um instrumento feito de chifre de boi e detalhes em couro. Utilizado pelos peões de boiadeiro, ele emite sons agudos e graves, e cada toque é uma senha, avisando a hora do almoço, o toque de recolher, toque de perigo e orienta o sinueiro (boi que comanda a boiada, boi experiente, esperto).
7 – TRADIÇÃO E CULTURA ICONIZADA
7.1 – Monumentos Artísticos no Parque do Peão[4]
Além da grande estrutura que o Parque do Peão oferece para realização de eventos importantes, outras atrações que compõe o cenário do Parque são os monumentos ligados à cultura do rodeio e às tradições sertanejas. Um dos principais monumentos, conhecido como ‘ROSETA’*, fica na entrada principal do Parque e identifica o local.
Autores*: Nivaldo Gomes; Pedro Perozi; Cesario Ceperó. – Construção: Silvio Luiz Basso.
7.2 – Monumento ao Peão*
Idealizado pelo publicitário Valter Corsino, com o objetivo de homenagear todos os profissionais de rodeio. Foi construído no ano de 2005 e tem uma altura de 27 metros, estátua gigante representando o peão de Boiadeiro. Uma obra do artista plástico Juvenal Irene.
7.3 – Cavalo de Aço*
Escultura de ferro pintada de vermelho criada pelo publicitário Alex Periscinoto.
7.4 – Touro Bandido*
Uma homenagem ao touro mais temido pela maioria dos peões e o mais famoso da historia do rodeio brasileiro, com uma trajetória invicta nas arenas. Monumento construído no ano de 2009.
Autores: Juvenal Irene; Nivaldo Gomes.
7.5 – Praça dos Presidentes*
Este singular monumento localizado na praça dos Presidentes representa com suas colunas a tríade “INDEPENDENTES”: Companheirismo – Lealdade – Idealismo.
Projeto: Nivaldo Gomes
7.6 – Montaria em Cavalo*
Obra assinada por Juvenal Irene, fica próximo ao Estádio de Rodeios. O objetivo é prestar homenagem à modalidade de Rodeio que foi a primeira a ser praticada no Brasil. Popssui 7 metros de altura.
7.7 – Montaria em Touro*
Também de autoria do artista plástico Juvenal Irene está situado na rotatória que dá acesso a Hípica e com 7 metros de altura.
7.8 – Galeria da Fama*
Monumento situado na praça que dá acesso ao estádio de rodeios e que tem o objetivo de homenagear todos os peões que foram campeões em Barretos nas modalidades montaria em cavalo e montaria em touro.
Projeto: Nivaldo Gomes
7.9 – Marco Encerramento da Cavalgada do Centenário*
Em homenagem aos 100 anos do maior arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer. Cavalgada cultural idealizada pelo seu neto Carlos Oscar Niemeyer Magalhães que percorreu 813 km, de Rio Novo/Goianá – MG até Barretos-SP. Ano 2007.
Projeto: Nivaldo Gomes
7.10 Marco Zero da Cidade
Monumento com sete metros de altura, localizado no ponto histórico do início da povoação, retratando a Família Barreto, a fundadora da cidade e o padroeiro de Barretos, Divino Espírito Santo.
Neste local o Sr. Francisco Barreto construiu a sua casa onde morou a sua família e escravos.
Situado na Rua 8, esquina com a Av. 13.
Foto obtida no https://turismo.barretos.sp.gov.br
8 – Tradição, religiosidade, arte e cultura.
8.1 – Capela dos Santos Reis
De origem portuguesa, a Folia de Reis é uma Festa católica ligada à comemoração do Natal, comemorada desde o século XIX, segundo a visão dos três reis magos, que foram os primeiros a reconhecer Jesus menino como rei e assim foram visitá-lo, levando presentes. Nas Histórias cantadas constam que Gaspar, Baltazar e Belchior eram reis astrólogos e seguiam um cometa, denominado hoje como “estrela guia”, que os guiou até a “manjedoura”, onde estava o menino Jesus.
Os rituais e a devoção aos três reis santos são considerados catolicismo popular, legitimado pela realização coletiva, aceito e cultuado pelo “povo”. Com isso, em alguns locais a paróquia acolhe os grupos e, outros não. Este folclore nacional, embora um pouco desconhecido das grandes cidades tem grande significância no interior de grandes Estados. Entre estas cidades está Barretos, com muitas Cias de Reis com festas que em Barretos, estendem de Dezembro a Março reunido muitas famílias em torna dessa arte sacra.
8.2 – Comunidade Santos Reis na Fazenda Armour
A tradicional Festa de Santos Reis da cidade de Barretos
A comunidade Santos Reis da Fazenda Armour, marcou sua Bodas de Brilhante inaugurando um presépio com 6 metros de altura nos moldes do que há no Santuário Nacional de Aparecida, com celebração acompanhada pelo Grupo Brasil Viola apresentando canções litúrgicas no ritmo das Companhias de Reis, apresentação do Grupo de Cântico Epifânicos Irmãos Borges, e, voluntários preparam o jantar com alimentos doados por devotos de toda a cidade de Barretos.
Todos os anos na festa de Reis em Janeiro é realizado o tradicional encontro das Cias de Reis.
9 – ARTISTAS, ATORES, MESTRES E AUTORES BARRETENSES HISTÓRICOS
9.1 – O (BEZERRINHA), compositor de BARRETOS.
São Paulo tem suas melodias. “Sampa”, “Ronda”, “Lampião de Gás”, “Bonde Camarão”… Mas talvez a música mais bonita já composta para a cidade seja “Perfil de São Paulo”, de um compositor de Barretos, Francisco de Assis Bezerra Menezes, advogado, formado no Largo São Francisco, integrante das caravanas musicais dos tempos de estudante e, depois, compositor com alguns sucessos expressivos. Bezerrinha voltou para Barretos e sua casa se tornou centro de boemia de todos os cantores que se apresentavam na cidade.
Bezerra de Menezes é conhecido nacionalmente no meio artístico como o compositor da premiadíssima música “Perfil de São Paulo”, que além de ter sido eleita a música Hino do 4º. Centenário de São Paulo (1954), lhe rendeu também os títulos de melhor compositor e de melhor música do ano. Mas ele não se limitou a descrever somente a terra da garoa, foi além, é dele a música que descreve as belezas da cidade de Barretos, como o nosso belo Ipê, símbolo afetivo de toda a cidade, aliás, muitos consideram a música “Festa do Peão” um Hino; Esta música “Festa do Peão” ou “Vento Gelado” é um dos seus maiores legados. A canção se tornou um hino para os barretenses e para as tradições da cidade, sendo celebrada em diversas homenagens. As composições de Bezerrinha são reconhecidas como patrimônio cultural imaterial de Barretos.
A primeira música gravada de Bezerrinha foi com Albertinho Fortuna, cantor de voz aveludada que fez sucesso no início dos anos 50. Foi “Triste Quarta-Feira”, depois, a belíssima vedete Luely Figueiró foi inaugurar uma loja em Barretos, conheceu o repertório de Bezerrinha e gravou “Miragem”, regravada depois por Rosana Toledo e pelo Conjunto Farroupilha, segundo me conta o radialista José Vicente Dias Leme, memória viva da cidade. Emérito boêmio, Bezerrinha compunha desde músicas da noite, sambas canções, até modas de viola divertidíssimas, como “Burro Chucro”. É dele também “A Festa do Peão”, que se transformou no hino oficial de Barretos.
Dias Leme é o grande defensor de sua memória. Ambos concordam que uma de suas músicas inéditas, “Bom dia São Paulo definitivo sobre”, é o clássico a cidade:
“Boa noite meu viaduto do Chá / vou chegar até o Paysandu / o Ponto Chic me espera por lá / o chopp gelado e o bauru / São pequenas coisinhas / que prendem São Paulo no coração”.
Fonte: – Pintassilgo, Dr. Migalhas.
9.2 – JOÃO FALCÃO
O Sr. João Falcão nasceu em Bebedouro, no dia 27 de julho de 1907 e com dois meses de idade veio para Barretos com seu pai Sebastião Falcão e sua mãe Bertolina Amélia Falcão. No dia 30 de junho de 1930 se casou com Ana Marques Falcão e desta união nasceram seis filhos: Albíria Tereza, Wladimir, Caiuby, Carlos Marx, Rosa de Luxemburgo e Claudinéia.
Ainda jovem estreou no teatro amador no ano de 1928, com a peça “Falsos Amigos”, encenada na União dos Empregados do Comércio de Barretos, pelo “Grupo Dramático Amor à Arte” de Hildebrando de Araujo. Posteriormente, participou do Corpo Cênico da U.E.C – União dos Empregados no Comércio, trabalhando ao lado de Romeu Sessa, Humberto e Carminha Belivacqua e Alonso de Souza. Em seguida, atuou no “Teatro Experimental de Barretos”, no “Teatro do Estudante de Barretos” e no “Teatro Universitário de Barretos”.
Na década de 60, João Falcão sofreu as perseguições da ditadura empresarial/militar por sua militância de esquerda mas sua luta na cultura artística continuou sempre ativa. Depois de encenar várias peças teatrais ao lado de grandes ícones do teatro barretense como Luiz Carlos Arutim, Dermeval de Almeida, os irmãos Pio e Hugo Toneli, Fioravante Toneli, João Rosa, Eunice Espíndola e em 1976, ao lado de José Antonio Merenda, fundou o “Grupo Teatral Amor à Arte em Barretos”, G.T.A.A.B – Grupo Teatral de Amor à Arte de Barretos.
Faleceu em 19 de março de 1991 aos 84 anos, atualmente é patrono do Instituto Cultural “João Falcão” e quase todos os anos sua família recebe homenagens em seu nome. O jovem, o adulto e o velho João Falcão atravessou o século XX brilhando nos palcos teatrais e marcando o coração das pessoas com a arte de seu sempre presente sorriso.
9.3 – Euri Silva
Eurípedes Cândido da Silva, o ator Euri Silva, iniciou sua vida artística no Circo Bacurau – a eterna luta “Ivan x bacurau”-, então localizado à Rua 24 com a Avenida 05, Filho do guarda da praca do rosário sr. Orlando (em memoria) que vendia sorvete a tarde de carrinho, morava perto do circo, a casa do pai dele era encostado no muro do campo do Barretos Esporte Clube, amigo do sr. João Falcão com quem dividia o amor pelas artes teatrais, era sempre prestativo, Euri atuou muito nos desfiles carnavalescos junto a Escola de Samba Unidos da Vila Marilia e mais tarde co-fundou a UniArte, o Instituto Cultural João Falcão.
9.4 – Adonias Garcia.
Adonias Garcia, filho de Anésio Garcia dos Reis e Nazaré Carrilho, foi Ator, Autor, Pesquisador e Diretor Teatral, além de Professor e Pedagogo. Estudou na instituição de ensino FFLCH-USP onde estudou Teatro Sâscrito e Teatro Infantil e Direção Teatral na ECA-USP. Na Faculdade de Filosofia de Bebedouro-FAFIBE cursou pós-graduação em Letras; UNESP/IBILCE – São José do Rio Preto fez mestrado em Pedagogia, e, em Barretos estudou no EEPSG Rapahael Brandão. Estudou interpretação teatral no Centro de Pesquisas Teatrais do CPT/SESC – Consolação em São Paulo com o teatrólogo Antunes Filho.
Atuações:
– Atuou como ator da peça “Vereda da Salvação”, de Jorge Andrade, com direção de Luiz Carlos Arutim em 1993/1998; – Coordenou como diretor e autor do “Projeto Teatro” na Prefeitura de Barretos, onde montou a peça “O Outro Lado da Moeda”;
– Adaptou e dirigiu para a TV o conto “Angústia”, de Anton Tchecov, em produção independente. – Atuou, dirigiu e escreveu: “A Viagem ao Mundo Azul”, premiada como melhor peça infantil no Festival de Teatro de Catanduva/SP e apresentada em mais de 200 cidades em 4 estados brasileiros, durante 9 anos em cartaz. Escreveu e dirigiu os espetáculos “O Mito do Caminho de Atman”, que junto com a “A Viagem ao Mundo Azul”, estiveram no Festival de Teatro Curitiba/PR. Adaptou e dirigiu o monólogo “O Navio Negreiro” com o ator Euri Silva.
– Dirigiu a encenação da “Paixão de Cristo”, em Barretos/SP;
– Adaptou e dirigiu o espetáculo “Vida e Morte Severina” a partir do auto de natal “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto.
– Adaptou, produziu e dirigiu a leitura dramática do livro “Primeiras Estórias de Guimarães Rosa”, denominado “A Terceira Margem”, escreveu e lançou pela Editora Mulifoco em 2020, o livro “O Mito do Caminho de Atman”, adaptado da peça homônima de sua autoria; Adônis Garcia escreveu as peças: Um palhaço em busca de seu nariz; Barbarela Cravo e Canela” e adaptou e dirigiu a peça Romeu e Julieta de Wiliam Shakespeare apresentada em Barretos;
– Adonias foi Diretor Municipal de Cultura em Guaíra/SP, e, participou de antologia “Barretos em 3ª Pessoa” pela Academia Barretense de Cultura – ABC com o texto “Minha Barretos: o ser-tão profundo”, publicado no livro “Barretos em 3ª. pessoa”, lançado pela Editora
Multifoco em 2020.
9.5 – Ricardo Marques
Ator e diretor Ricardo Tadeu Marques, que participou de vários projetos culturais de Barretos, foi homenageado pela ABC, em 2018, com o Diploma “Amigo da Cultura”. Ricardo era descendente direto de Simão Antonio Marques (Librina), um dos fundadores de Barretos.
Participou do Teatro Cacilda Becker, em 1975, membro do G.T.A.A.B. – Grupo Teatral “Amor à Arte” de Barretos, sempre um idealista culturais da cidade, foi diretor da encenação do espetáculo “A Paixão de Cristo”, em 2018”, na Praça Francisco Barreto.
– Referência: Artigo de Merenda – https://jornaldebarretos.com.br/artigos/carta-ao-amigo-ricardo-tadeu-marques/
9.6 – Alexandra Sanches
Uma atriz octogenária que morou na vila rios e no centro de Barretos
Alexandrina Araújo Sanches foi uma atriz que, embora tenha nascido em Minas Gerais, morou a maior parte de sua vida em Barretos, São Paulo. Ela era conhecida na cidade por sua atuação e por ter vivido na Vila Rios e no centro.
Alexandrina Araújo Sanches foi uma atriz que, embora tenha nascido em Minas Gerais, morou a maior parte de sua vida em Barretos, São Paulo. Ela era conhecida na cidade por sua atuação e por ter vivido na Vila Rios e no centro. A “mineira barretense” adotou o nome artístico de Alexandra Sanches e dedicou ao teatro e ao cinema. Entre as peças que atuou no teatro estão: “O Capeta de Caruaru” dirigida por Adilson Barros; “Calabar” dirigida por Tom Crivelaro; e, “Quando Tudo Acontece na Segunda-Feira”. No cinema protagonizou entre outros: “Aurora”, curta que conta a história de uma senhora de muita idade que espera o filho aparecer para então poder sumir de vista. Aurora é dirigido por Roney Freitas e foi destaque em mostras de cinema realizados em São Paulo, Belo horizonte, São Luiz(MA), Los Angeles (EUA) e Paris (França). https://www.youtube.com/watch?v=ZzN3pGAWDz4&t=572s
A atriz se sente realizada e aos seus mais de 80 anos revelou um sonho – gravar um longa para melhor mostrar seu talento.
Referência: https://jornalosertanejo.com.br/reportagem/2017/11/05/a-octogenaria-atriz-que-morou-na-vila-rios-e-no-centro-de-barretos/ – Aquino José.
9.7 – Pedro Perozzi
O artista plástico barretense Pedro Perozzi, falecido em 04/03/2024 com 73 anos, deixou grande legado de sua obra artística ao município. Formado em Belas Artes, em Barretos foi aluno das escolas estaduais Fausto Lex e Vocacional. Entre suas principais obras em Barretos estão a restauração da pintura da Catedral do Divino Espírito Santo (1998/1999); a produção do Marco Histórico da cidade (1993), monumento que retrata o povo barretense, com destaque para as duas famílias de fundadores da cidade (os Barreto e os Librina), e raios de luz simbolizando o padroeiro Divino Espírito Santo; e a Roseta de Os Independentes (1993).
Outros trabalhados de Perozzi na cidade são: o Monumento do Rotary Club; a conclusão do “Monumento Heróis Anônimos do Sertão” (localizado na rotatória do Frigorífico JBS-Friboi, de autoria de Antônio Brás Dionísio), e a restauração da fachada da antiga sede da ALAB (Academia de Letras e Artes de Barretos), na Avenida 13.
Em parceria com Cesário Ceperó, Perozzi pintou mais de 120 igrejas nos Estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Na cidade de Barretos, a dupla foi responsável pela restauração de 8 igrejas, incluindo a Catedral do Divino Espírito Santo.
Pedro Perozzi é um expoente da cultura barretense “Pedro soube retratar com maestria nossa cultura e nossa história. Sua obra e sua atuação junto às artes ficam agora como enorme legado às futuras gerações”.
9.8 – LUIZ CARLOS ARUTIN
Luiz Carlos Arutin (1933-1996), foi um ator que se destacou no teatro e na teledramaturgia nacional nas décadas de 1970 e 1980. Formado pela Escola de Arte Dramática da USP, Arutin participou de pelo menos 4 filmes, 20 telenovelas, além de ter comandado peças de teatro por todo Brasil. Paulista da cidade de Barretos, descendente de sírios e italianos, Luiz Carlos Arutin construiu sólida carreira no teatro antes de estrear na TV. Iniciou sua carreira em peças de teatro, tornando-se um dos comandantes do Teatro de Arena, junto com Augusto Boal. Aos poucos, foi construindo uma sólida carreira nos palcos, sendo conhecido por peças aclamadas e foi consagrado, em 1978, com o Prêmio Molière e o Prêmio APCA de Melhor Ator de Teatro, por sua brilhante atuação na peça Os Inocentes.
Na televisão, sua primeira oportunidade foi no capítulo inicial da telenovela Vitória Bonelli, seguiram-se grandes personagens, como Viveu as personagens: Youssef de Os Imigrantes, onde recebeu o Prêmio APCA de melhor ator de televisão, Oscar de A Gata Comeu, o técnico de futebol Bepe de Vereda Tropical, ambas na TV Globo. Também brilhou como o bom e polêmico jornalista Augusto de Sinhá Moça, João Semana em As Pupilas do Senhor Reitor, no SBT, e o consagrado libanês Rachid da novela Renascer, cuja atuação teve repercussão nacional. Sua última telenovela foi A Idade da Loba, na Bandeirantes.
Em novelas, seu primeiro personagem de destaque foi Youssef em ‘Os Imigrantes’ na Band, em 1981. Quatro anos depois, roubou a cena como o mulherengo Oscar, que se fingia de doente para a esposa, em ‘A Gata Comeu’. Na 1ª versão de ‘Sinhá Moça’, em 1986, fez o papel do jornalista abolicionista Augusto.
Magnético, Arutin encantava o público com o bom humor genuíno emprestado a seus personagens. Sem esforço, convencia nos mais diversos perfis. No remake em exibição na Globo, o papel de Rachid foi rejuvenescido e ficou com o ator e cantor Gabriel Sater. Luiz Carlos Arutin, o Rachid da ‘Renascer’ original, conquistou fama com personagens que despertavam a simpatia dos noveleiros.
Artin morreu a 11 dias de completar 63 anos e pouco antes de começar a gravar as primeiras cenas de ‘O Rei do Gado’, dos mesmos autores e diretor-geral, Benedito Ruy Barbosa e Luiz Fernando Carvalho, que o tinham escalado para um dos maiores sucessos de sua carreira, três anos antes.
9.9 – Eunice Espíndola
Eunice de Souza Espíndola, foi uma figura importante para o teatro e a cultura da cidade, atuando como professora, atriz e cantora. Sua participação no teatro barretense pode ser resumida da seguinte forma:
Foi uma entusiasta do teatro em Barretos e é lembrada por sua atuação e envolvimento com a arte local. Foi a primeira ocupante da cadeira 37 na Academia Barretense de Cultura (ABC), um reconhecimento de seu valor para a cultura da cidade, cofundadora do GTAAB e Instituto Cultural João Falcão e participou de inúmeros espetáculos teatrais entre os quais: Veredas da Salvação de Jorge Andrade com direção de Luiz Carlos Arutin, e, a encenação de Paixão de Cristo em Barretos. O CEU das Artes em Barretos leva o nome de “Profª. Eunice Espíndola”, uma homenagem à sua contribuição e trabalho na cidade.
9.10 – Expedito Marques
A obra de José Expedito Marques
– Que Teatro é Este? – José Expedito Marques | 1988
– O coelhinho cotó – José Expedito Marques | 1983
– As Pulgas – José Expedito Marques | 1989
Os Olhos Verdes da Neurose – Zé Feição: O Édipo da Vila Nova – José Expedito Marques | 1980 –
– Memórias de Uma Cadelinha Vira-lata – José Expedito Marques | 1983.
9.11 – Cine Tetéia – Rádio Piratininga – Teatro Cacilda Becker
Os anos 1960″ era sede da então Rádio Piratininga, onde aos domingos de manhã, tinham shows de calouros, com a banda The Quikc Backs. Foi também Teatro Cacilda Becker, sob comando do saudoso professor José Expedito Marques. Assisti muito bang bang nesse cinema. Minha colação de grau foi no cine Tetéia.
Este cinema era do Sr. Leonidas Gético. O nome veio de um concurso realizado, foi ganho pela sua filha. O filme de estréia do cinema foi um faroeste: “Sete Mulheres para os MacGregor “. O Cine Tetáia foi o lugar onde muitas pessoas viu o cinema pela primeira para assistir um filme, Aos domingos, ir à missa na Catedral, fazer futing na Praça (os jovens indo em sentido contrários das jovens para paquerá-las), tomar chuvisco de Crush (colocar um pouco de aguardente nas garrafinhas para disfarçar) e depois ir ao cinema assistir filmes no cine teteia.
A Rádio Piratininga lançando locutores como Antônio Casali, havia programas programas humorísticos ao vivo tinha um porão com entrada pela 23 onde se jogavam Ping pong.
Funcionou também Teatro Cacilda Becker final da década dos anos 70 e década dos anos 80 e palco de bons festivais de MPB.
9.12 – Teatro Cacilda Becker em Barretos
Em 1975, em Barretos, foi a inauguração do ‘Teatro Cacilda Becker’, com o propósito de dotar Barretos de uma casa de espetáculos e trazer maior dinamismo às produções teatrais, manifestações artísticas locais e, ainda, proporcionar a vinda de espetáculos e artistas de renome nacional.
Na esquina da rua 14 com a avenida 23 estava em funcionamento o Cine Teteia, propriedade da empresa Curt, e que passava por uma fase deficitária. O prédio pertencia à Mitra Diocesana de Barretos, onde, anteriormente, havia funcionado o Cine São Paulo e a Rádio Piratininga. O imóvel possuía um saguão, palco italiano, camarins, coxias e uma plateia com capacidade para 540 lugares, com a necessidade de poucas adaptações para o funcionamento de um teatro. Após negociações, o contrato entre a Mitra Diocesana e o TEB – Teatro Experimental de Barretos, comandado pelo profº. José Expedito Marques foi assinado.
O professor Expedito batizou o espaço de ‘Teatro Cacilda Becker’, em homenagem à atriz, dama do teatro brasileiro e sua amiga, falecida em 1969, em São Paulo, no intervalo da peça ‘Esperando Godot’, de Samuel Beckett. A inauguração deu-se a 6 de junho de 1975, momento tão sonhado por todos, com uma programação e presenças de Elvira Becker, mãe e Cleyde Yáconis, irmã da patronesse. Naquela noite o palco foi inaugurado com o espetáculo ‘‘Teatro, poesia e prosa’, por Hilton Viana, crítico do Diário de São Paulo.
O Teatro Cacilda Becker trouxe maior fomento à cultura, tanto nas montagens amadoras, bem como nos espetáculos profissionais, proporcionando ao público barretense o contato com os grandes astros do teatro nacional e das novelas. Pelo seu palco passaram, entre outros: Paulo Goulart, Nicete Bruno, Renato Consorte, Plínio Marcos, Gianfrancesco Guarnieri, Edu Lobo, Adriano Reis, Cleyde Yáconis, Lima Duarte, Elias Gleizer, Serafim Gonzales, Ana Rosa, Maria Izabel de Lizandra, Ruthinéa de Morais.
Ao fechar suas portas no final de agosto de 1978, logo após a realização do XVI Festival Estadual de Teatro Amador, provocou uma crise no teatro barretense.
Por: José Geraldo Resende
Referência: Artigo de José Antonio Merenda: Ator, historiador e presidente da ABC – Academia
Barretense de Cultura. https://jornaldebarretos.com.br/artigos/no-tempo-do-teatro-cacilda-becker/
9.13 – Beat Stones
A Banda Beat Stones
Existiu em Barretos a Banda Beat Stones que por algum tempo animava os bailes de Barretos e regiões de São Paulo, triângulo Mineiro e arredores nos anos 70 e posteriores, tendo várias formações tais como:
Odair Genoir branco, Maranhão, Otto, Carlinhos e João, o divininho nos vocais e na guitarra, foi a melhor formação. Eram famosas suas apresentações na União dos Empregados no Comércio, com seu estilo moderno de rock internacional e eram ó grandes músicos.
9.14 – José Vicente Dias Leme
José Vicente Dias Leme, 70 anos de rádio, sua paixão, ele iniciou sua carreira, aos 19 anos, no dia 1º de junho de 1951, como locutor na PRJ – 8 – S.A. Rádio Barretos, tornando-se ao longo dos anos, um ilustre personagem de nossa cidade, radialista, jornalista, escritor, poeta e compositor, com altas virtudes e uma vida dedicada à família e à radiofonia. Nasceu em Barretos a 26 de outubro de 1931, filho de Cilineo Dias Leme e Augusta de Rezende Dias Leme.
Era apaixonado pelo Rádio e seus personagens, contava as histórias da Rádio Nacional e Mayrink Veiga, no RJ, em tempos pioneiros, as ondas do rádio como instrumento de integração nacional na Era Vargas, com seus ídolos, mitos, ouvintes cativos, programas de auditório. A beleza da música e seus astros e estrelas. O acervo fonográfico raro de Zé Vicente contém mais de 5.000 discos, entre 78 rpm e LP’s.
Dotado de sensibilidade aguçada era exímio conhecedor dos grandes sucessos da época áurea da MPB, fã incondicional das estrelas Linda e Dircinha Batista, Dalva de Oliveira, Carmem Miranda, Emilinha Borba, Ângela Maria e dos astros Chico Alves, Orlando Silva, Cauby, Noel Rosa e, ainda, Sílvio Caldas e Anísio Silva, ambos moraram em Barretos antes da fama e de nossos conterrâneos Bezerrinha e Alciony Menegaz; a eterna rivalidade histórica, levada a sério pelos fãs clubes de Emilinha Borba e Marlene, concorrentes ao título de ‘Rainha do Rádio’; e o ‘speaker’, como era chamado o locutor naquela época, César Ladeira, e por aí ia, além de cantar as marchinhas de carnavais de outrora.
Zé Vicente também declamava suas quadrinhas hilariantes e cheias de trocadilhos; cantava os seus ‘jingles’ das campanhas eleitorais municipais, que compôs entre as décadas de 1950/1980, enaltecendo os candidatos, entre outros: Christiano Carvalho, Nagibinho, Ruy Menezes, Hércules Brazolin, o nosso artista do microfone.
Ilustre confrade na ABC – Academia Barretense de Cultura, tendo ingressado na mesma em 29 de outubro de 1988, titular da Cadeira nº 31, cujo patrono é seu tio, o jornalista, escritor e poeta José Dias Leme.
José Vicente, um dos grandes amigos do jornalista Monteiro Filho, fundador de O Diário e da Rede Vida de Televisão, começou sua carreira de radialista em 1951, na Rádio Barretos, trabalhando ao lado de Nadir Kenan, Ribas Filho, Antônio Scannavio, Pérsio Piratininga e outros.
Segundo informações do livro “Espiral”, de Ruy Menezes, este foi considerado um período muito produtivo de sua carreira na emissora, onde atuou até 1970. Como homem de rádio, sob sua coordenação, ali surgiram valores como Monteiro Filho, Marco Antonio, Joel Waldo, Antonio Buck, Luiz Aguiar, Rubens Cotrim, José Parassu, Ovídio Nascimento e Cassim Zaiden.
Em Guaíra, atuou na rádio Cultura de setembro de 1974 a setembro de 1976. Em outubro desse mesmo ano adquiriu parte da Rádio Jaboticabal, naquela cidade. Após retornar a Barretos, José Vicente foi a “voz padrão” da Rede Vida de Televisão, fundada pelo jornalista Monteiro Filho, em 1995 e sempre atuou como colaborador da emissora. Integrante da Academia Barretense de Cultura, escritor, poeta, comunicador e apaixonado por música, José Vicente Dias Leme deixa um importante legado cultural e jornalístico para Barretos.
9.15 – O Merenda
José Antonio Merenda, Ator, Diretor Teatral, Escritor, historiador e membro da ABC – Academia Barretense de Cultura – Cadeira nº 29, da qual foi presidente por quatro mandatos.
Merenda nasceu em Barretos no dia 12 de abril de 1956. Fez o curso primário no Sesi (1963-1967) e o ginasial e colegial na Escola Mário Vieira Marcondes (1968-1974), cursou Técnico em Contabilidade no antigo Colégio Ateneu (1973-75) e Licenciatura em História na Faculdade Barretos (2010-2011).
Entre suas diversas atividades culturais, foi presidente de entidades ligadas ao teatro, entre elas, o GTAAB, e também da Uniart. Merenda era ator, diretor teatral, professor e membro da cadeira número 29 da Academia Barretense de Cultura. Foi membro do FETAVARIG – Federação de Teatro Amador do Vale do Rio Grande (1974-1978), da COTAESP – Confederação de Teatro Amador do Estado de São Paulo (1978).
Na área artística e cultural, fundou o Grupo Teatral “Amor à Arte” (1979), a Associação Barretense de Folclore (1979), a UNIART – União dos Artistas Barretenses (1981) e o Instituto Cultural “João Falcão” (1996). Participou de pelo menos 30 peças de teatro como ator, diretor ou dramaturgo desde a década de 1970. Escreveu centenas de artigos para os jornais “O Diário” e “Jornal de Barretos” e, lançou o livro “Antologia de Artigos”.
9.16 – Jorge Andrade
Jorge Andrade e a sua literatura dramática
Jorge Andrade (1922 – 1984), dramaturgo brasileiro, filho de Ignácio de Lima Franco e Albertina de Andrade Franco, da aristocracia rural, nasceu na Fazenda Coqueiros, em Jaborandi, na época distrito de Barretos. Aos 20 anos foi estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, a mando de seu pai, mas logo descobrira que sua vocação não seria a advocacia.
No princípio dos anos 1950, encontrou o caminho: o Teatro. Matriculou-se na Escola de Arte Dramática de São Paulo, no curso de ator. Mas, por influência da renomada atriz Cacilda Becker, enveredou-se para a dramaturgia, e o Brasil ganhou um autor revolucionário. Em sua trajetória dramatúrgica, escreveu para o teatro, televisão e cinema. De um modo particular, narra a decadência dos barões do café, e muitas de suas obras retratam a si mesmo e a sua tradicional família barretense. Dessa forma teve papel importante na renovação da dramaturgia brasileira nos anos 50, 60 e 70.
O seu único romance, ‘O Labirinto’, recebeu o prestígio e consagração da crítica especializada brasileira e internacional, de colegas, estudiosos e ensaístas. Por outro lado, teve algumas de suas peças censuradas durante a ditadura militar, ao ponto de ‘Rastro Atrás’, escrita em 1966, ter sua estreia, em 1968, em Portugal. Em Barretos viveu sua infância, adolescência e juventude. Mais tarde lecionou no antigo Ginásio Vocacional, sendo lembrado com muito carinho pelos seus ex-colegas e ex-alunos. Apesar de ter vivido em São Paulo, às voltas com sua produção teatral, nunca esqueceu a sua origem e sua terra natal. Jorge Andrade continua vivo em sua obra, sendo estudada e encenada por grupos teatrais e universidades espalhados por todo o Brasil e no exterior, dada a sua relevância artística, histórica e social.
p/ José Geraldo Resende.
[1] ROCHA, Osório Faleiros da – “Barretos de Outrora” em 1954.
[2] Jornal “O Diário”, coluna Plural, 21/Jan/1999 e “O Diário”, 27/03/1973. Acervo: Museu “Ruy Menezes”.
[3] http://www.culturacaipira.com/2015/08/09/festival-violeira-rose-abrao Acesso: 22/12/218.
[4] *Fotos obtidas da http://www.independentes.com.br Acesso: 21/12/2018









