Artigo:  Os Impactos da Transformação Digital na Produção do Audiovisual da Cultura Nacional-Popular Brasileira

Foto – Site Portal da Indústria

A transformação digital tem provocado mudanças profundas na forma como o Brasil produz, distribui e consome conteúdos audiovisuais ligados à cultura nacional-popular.

Esses impactos podem ser analisados em diferentes dimensões:

  • A Produção e democratização das ferramentas: Softwares acessíveis e câmeras digitais de baixo custo permitem que artistas independentes criem obras sem depender de grandes estúdios. O uso de inteligência artificial, realidade aumentada e experiências e imersivas, amplia as possibilidades narrativas, conectando tradição e inovação.
  • A distribuição por plataformas de streaming ampliaram o acesso a conteúdos audiovisuais, mas também intensificaram a competição com produções estrangeiras, dificultando a visibilidade do audiovisual As redes sociais se transformaram em canais de difusão cultural, permitindo que manifestações populares alcancem públicos globais sem mediação institucional, mas com pouco acesso à monetização.

 

*Quadro comparativo que organiza os principais impactos da transformação digital na produção audiovisual da cultura nacional-popular brasileira:

Oportunidades vs. Desafios

 

Dimensão Oportunidades Desafios
 

Produção

–  Ferramentas digitais acessíveis democratizam a criação.

–  Novas linguagens (IA, VR, AR) ampliam narrativas.

–  Digitalização preserva manifestações culturais.

–  Dificuldade de financiamento para pequenos produtores.

–  Dependência tecnológica de grandes empresas.

–  Risco de homogeneização estética.

 

Distribuição

–  Streaming e redes sociais ampliam alcance global.

–  Obras independentes podem viralizar.

–  Maior visibilidade de culturas regionais.

–  Concorrência desigual com produções estrangeiras.

–  Algoritmos podem invisibilizar conteúdos nacionais.

–  Dependência de plataformas internacionais.

 

 

Consumo

–  Interatividade fortalece engajamento do público.

–  Experiências imersivas aproximam tradições locais.

–  Nichos culturais ganham espaço.

–  Fragmentação da audiência reduz impacto coletivo.

–  Risco de perda de identidade nacional.

–  Sobrecarga informacional dificulta fidelização

Políticas culturais –  Possibilidade de novas regulamentações para fortalecer o audiovisual nacional.

–  Incentivo à diversidade cultural digital.

–  Falta de políticas públicas atualizadas.

–  Desafios de soberania cultural frente à globalização.

–  Sustentabilidade econômica incerta.

 

A dominação estrangeira no audiovisual e artes visuais sem uma produção e difusão nacional em massa, dificulta a identificação nacional de caráter popular que fortaleça a cultura nacional. Vemos até bibliotecas públicas com um lugar chamado de Hub de Leitura tamanho o processo de colonização cultural. Se temos que nos inserir numa sociedade multi étnica e multi cultural, temos também que elaborar e produzir as referências culturais da Nação Brasileira.

O nosso grande desafio é construir uma legislação de soberania cultural que atualize as políticas públicas para garantir que o audiovisual brasileiro tenha espaço competitivo frente às produções globais, criar mecanismos de apoio e fortalecimento dos coletivos de pesquisa, produção e distribuição de audiovisuais que espelhe a cultura brasileira por meio de uma rede popular com capacidade de desenvolver todas as etapas produtiva do audiovisual e artes visuais, através de programas de incentivos, transversalizando com centros acadêmicos formadores de universidades, escolas técnicas e rede comunicacionais públicas e coletivas.

*Quadro comparativo sobre o consumo de audiovisuais no Brasil, considerando a origem da produção (nacional vs. estrangeira), com base em dados recentes da Ancine e estudos acadêmicos:

  • Consumo de Audiovisual no Brasil por Origem da Produção

 

Aspecto Produções Nacionais Produções Estrangeiras
 

Cinema

–  Filmes brasileiros representam cerca de 15-20% das estreias anuais.

–  Maior presença em festivais e circuitos alternativos.

–  Público mais concentrado em nichos culturais.

–  Hollywood domina as bilheterias, com mais de 70% da receita.

–  Blockbusters atraem grandes audiências.

–  Forte presença em salas comerciais.

Televisão aberta –  Telenovelas e programas populares continuam sendo líderes de audiência.

–  Produção nacional é predominante.

–  Forte vínculo com identidade cultural.

–  Séries e filmes estrangeiros aparecem em faixas específicas.

–  Menor impacto na TV aberta, mas crescente em canais pagos.

 

Streaming (VoD)

–  Produções nacionais ainda têm baixa representatividade (menos de 20% do catálogo em grandes plataformas).

–  Iniciativas públicas buscam ampliar

presença (ex.: Plataforma Pública de Conteúdos Audiovisuais).

–  Catálogos dominados por produções estrangeiras (EUA, Coreia, Europa).

–  Algoritmos favorecem conteúdos globais.

–  Maior visibilidade e consumo.

 

Consumo regional

–  Obras nacionais refletem diversidade cultural (cinema nordestino, produções indígenas, afro-brasileiras).

–  Importante para preservação da identidade.

–  Produções estrangeiras têm alcance homogêneo em todo o país.

–  Influenciam padrões culturais e estéticos globais.

 

Tendência futura

–  Crescimento com políticas de incentivo e editais.

–  Expansão de coproduções internacionais.

–  Maior digitalização de acervos culturais.

–  Continuação da hegemonia estrangeira em plataformas.

–  Expansão de conteúdos globais adaptados ao público brasileiro.

 

Conclusões:

A transformação digital trouxe oportunidades (democratização, inovação, alcance global) e contradições (concorrência desigual, riscos de invisibilidade da produção nacional). O futuro do audiovisual brasileiro depende de políticas culturais que conciliem acesso global com valorização da identidade brasileira.

A transformação digital abre caminhos para inovação e democratização, mas também expõe fragilidades estruturais da produção audiovisual brasileira diante da lógica global das plataformas. O equilíbrio entre acesso global e valorização da identidade nacional-popular será decisivo para o futuro.

A construção de núcleos de pesquisa, produção e divulgação/distribuição de audiovisuais com estrutura interconectadas a nível nacional, com centros formadores, gestores e fruidores poderá ser um espaço de superação os streamings e outras formas de distribuição em massa do imenso manancial potencial do cinema nacional.

Assim, temos um grande potencial para gerar emprego e rendas de qualidade por meio da ativação de ativos culturais, superando a perda de vagas pela digitalização da produção do mundo do trabalho, por meio da própria transformação digital.

José Geraldo Resende – Cursou a Faculdade de Teatro no Centro Universitário Barão de Mauá/Ribeirão Preto/SP; é Bacharel em Direito pelo Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos/SP; e, estudou Pós-graduação em Especialização em Educação e Patrimônio Cultural e Artístico, lato sensu pelo Inst.Art./UnB.

  • Cursando MBA em Gestão e Transformação Digital – ECA/USP, e;
  • Pós-Graduação em Teoria Crítica da Sociedade- ICL/FESPSP.

Cursos Específicos: – Curso de Gestão de Empreendimentos, Modelagem de Projetos Culturais e Planos de Negócios Criativos pelo SENAC/DF-MinC, 2015;

  • Curso de Parecerista e Gestores na Avaliação e Seleção de Pontos e Pontões de Cultura na PNAB/LABAC/UFF, 2024;
  • Produção Audiovisual pelo IFG/MinC. 2024;

Membro diretor/ativista:

  • Associação de Desenvolvimento Cultural João Falcão;
  • Associação de Formação, Comunicação e Educação Popular, Conhecer-Cidadania;
  • Fórum do Litoral, Interior e Grande São Paulo-FLIGSP, de articuladores de artes, cultura e políticas culturais.

Contato: Email: [email protected] fone-cel/watsapp: (17) 99155-8288

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